Jornal'Ecos da Literatura Lusófona

Paris & Brasília

25 de Fevereiro de 2007 - Edição N°57

 

 A Coluna de.......... Andrade Jorge

Brasil

Pág. 134

NOVAMENTE

 
 

Esse invisível movimento que traça, urde, trama as paralelas da vida tem a matiz, a nuance da irônica sensatez, o escárnio debochado da insensatez, que envolve a  realidade  fria; E quando as linhas da coordenação da existência sofrem esse abalo,  o norte vira sul, o sul nem vira,  o chão  da estrada torna-se árido, íngreme; Morro abaixo da razão. Deserto da emoção. A retomada dela (razão) é tão necessária para recolocar o trem da vida no trilho da esperança, todavia as idéias fervilham, rodopia na cabeça bem-aventurada feito vendaval,  ofuscando o tino já chamuscado pela labareda da desilusão. Como ter um hiato para reflexão? Nessa condição é necessário força interior, é preciso força no caminhar para ultrapassar as barreiras que ameaçam a continuidade da vida, como ela deve ser: serena, sadia, feliz. Novamente chegamos à encruzilhada onde nenhuma indicação nos será repassada. A escolha do novo caminho muitas vezes é feito às cegas porque as linhas do destino ainda não foram totalmente recompostas.

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Quem é: Andrade Jorge

 Escrever ao autor 

 
Escritor, poeta sem tipificação, sou pluralista, escrevo com toda a rebeldia da minha inspiração, sem regras, sem preconceitos. Quando escrevo tenho todo o poder do mundo dos homens, seja no teclado, ou na tinta da minha caneta, porque nessa hora sou o invasor de mentes, corações, desnudo a alma humana,  ao fazê-lo desnudo a mim próprio, porque sou o produto do meio, e o produto da atualidade, mas com a chama incontida que os poetas trazem em si.
 

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